CÂMARAS DE ECO COMO CIRCUITOS DE RESSONÂNCIA
comunicação digital e irritabilidade sistêmica na teoria de Niklas Luhmann
Palavras-chave:
câmaras de eco, comunicação digital, Teoria dos Sistemas, ressonância comunicativa, irritabilidade sistêmicaResumo
O presente artigo analisa o fenômeno das câmaras de eco no ambiente comunicacional digital a partir da teoria dos sistemas sociais de Niklas Luhmann. Inicialmente, realiza-se uma revisão da literatura sobre o tema, examinando como a arquitetura informacional das plataformas digitais, associada a mecanismos algorítmicos de recomendação e à lógica de engajamento, favorece a formação de circuitos comunicativos relativamente homogêneos. Em seguida, introduzem-se os principais conceitos da teoria dos sistemas, autopoiese, diferenciação funcional, acoplamentos estruturais e irritações sistêmicas, com o objetivo de deslocar a análise do plano das preferências individuais para o plano das operações comunicativas. A partir desse enquadramento teórico, propõe-se compreender as câmaras de eco não apenas como resultado de afinidades ideológicas entre usuários, mas como efeito de configurações estruturais do ambiente digital que modulam as condições de conectividade da comunicação social. Argumenta-se que tais ambientes comunicativos operam por meio da amplificação de ressonâncias internas e pela redução relativa da capacidade de processar irritações provenientes do ambiente, favorecendo a circulação reiterada de interpretações convergentes reduzindo a probabilidade de que comunicações dissonantes sejam processadas nesses circuitos comunicativos. Oferecendo um quadro analítico para a compreensão das transformações recentes do debate público nas redes digitais, o artigo sustenta que as câmaras de eco podem ser compreendidas como circuitos comunicativos caracterizados por elevada redundância informacional e por padrões seletivos de recepção de estímulos externos.
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