PROVA PENAL E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

limites epistemológicos e garantias processuais na valoração de interferências algorítmicas

Autores

  • Isis de Almeida Gomes Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS)

Palavras-chave:

inteligência artificial, processo penal, prova penal, garantias processuais, automação decisória

Resumo

Este artigo examina a valoração da prova penal produzida por inteligência artificial (IA), sob uma perspectiva crítica que destaca seus limites epistemológicos, as garantias processuais e os riscos da automação decisória. Analisa-se a crescente incorporação de sistemas automatizados na investigação criminal e na formação do convencimento judicial, frequentemente sem transparência, auditabilidade e supervisão humana adequadas, o que pode comprometer o contraditório, a ampla defesa e o devido processo legal. Por meio de abordagem qualitativa, com análise doutrinária, jurisprudencial e comparada, sustenta-se que, embora a IA possa atuar como instrumento auxiliar, seu uso acrítico fragiliza a legitimidade da decisão penal. Conclui-se que sua adoção deve ser subsidiária, preservando a centralidade do juízo humano e a proteção dos direitos fundamentais.

Biografia do Autor

Isis de Almeida Gomes, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS)

Pós-graduada em Direito Penal e Criminologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Bacharela em Direito pelo Centro Universitário Jorge Amado. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9045833955539686. E-mail: isis.algomes@hotmail.com

Referências

BADARÓ, Gustavo Henrique. Processo penal. 9. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2021.

BAROCAS, Solon; SELBST, Andrew D. Big Data’s Disparate Impact. California Law Review, v. 104, n. 3, 2016.

BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Habeas Corpus n. 598.886/SC. Relator: Ministro Ribeiro Dantas. 5ª Turma. Julgado em 27 out. 2020. Diário da Justiça Eletrônico, Brasília, 03 nov. 2020.

BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Ordinário em Habeas Corpus n. 131.263/DF. Relator: Ministro Ribeiro Dantas. 5ª Turma. Julgado em 09 jun. 2020. Diário da Justiça Eletrônico, Brasília, 15 jun. 2020.

BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Habeas Corpus n. 455.223/SC. Relator: Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Quinta Turma. Julgado em 12 mar. 2019. Disponível em: https://www.stj.jus.br. Acesso em: 26 abr. 2026.

DAMAŠKA, Mirjan R. Evidence Law Adrift. New Haven: Yale University Press, 1997.

DOUZINAS, Costas; GEAREY, Adam. Critical Jurisprudence and the Role of Technology in Law. Oxford: Hart Publishing, 2019.

GILLESPIE, Tarleton. The relevance of algorithms. In: GILLESPIE, Tarleton; BOCZKOWSKI, Pablo; FOOT, Kirsten (org.). Media Technologies: Essays on Communication, Materiality, and Society. Cambridge: MIT Press, 2014. p. 167–194

GRIMM, Robert; GROSSMAN, Richard; CORMACK, Gordon. Artificial Intelligence in Criminal Justice: Risks and Opportunities. Cambridge: Cambridge University Press, 2021.

HARCOURT, Bernard E. Against Prediction: Profiling, Policing, and Punishing in an Actuarial Age. Chicago: University of Chicago Press, 2007.

HILDEBRANDT, Mireille. Law for Computer Scientists and Other Folk. Oxford: Oxford University Press, 2019.

IRFAN, M.; Bennett, C.; Müller, V. AI and Criminal Evidence: Emerging Challenges. Oxford: Oxford University Press, 2025.

LOPES JR., Aury. Direito processual penal. 20. ed. São Paulo: Saraiva, 2023.

MIRABETE, Julio Fabbrini. Processo Penal. 33. ed. São Paulo: Atlas, 2022.

O’NEIL, Cathy. Weapons of Math Destruction: How Big Data Increases Inequality and Threatens Democracy. New York: Crown, 2016.

PA Leari, Luciano. Epistemologia e Prova no Processo Penal. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2021.

PASQUALE, Frank. The Black Box Society: The Secret Algorithms That Control Money and Information. Cambridge: Harvard University Press, 2015.

ROSEN, Jeffrey; CITRON, Danielle. The Challenges of AI Evidence in Legal Contexts. Yale Law Journal, v. 130, n. 5, 2020.

SAMPAIO, Raiane Xavier Moura. Provas Digitais e Inteligência Artificial no Processo Penal. Salvador: Juspodivm, 2025.

STREINZ, Thomas. Artificial Intelligence and the Law: An Overview. In: DE GREGORIO, Giovanni; POLLICINO, Oreste (eds.). The Oxford Handbook of Digital Constitutionalism. Oxford: Oxford University Press, 2021.

TARUFFO, Michele. La prova dei fatti giuridici. Milano: Giuffrè, 2012.

Downloads

Publicado

23-06-2026

Como Citar

de Almeida Gomes, I. (2026). PROVA PENAL E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: limites epistemológicos e garantias processuais na valoração de interferências algorítmicas. Revista De Direito Contemporâneo UNIDEP, 5(1). Recuperado de https://periodicosunidep.emnuvens.com.br/rdc-u/article/view/435